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Dr. Deniz-Jacinto

Ensaísta, crítico, conferencista, professor, actor, encenador e acima de tudo, ou antes de mais, admirador confesso da arte teatral, Manuel Deniz-Jacinto dedicou toda uma vida ao Teatro e nunca escondeu a sua predilecção pela obra de Gil Vicente, a que consagrou vários estudos.

Tendo nascido em 1915, em Condeixa-a-Nova, Deniz-Jacinto frequentou a Universidade de Coimbra, de 1933 a 1943, onde concluiu as licenciaturas em Ciências Matemáticas e Engenharia Geográfica, tendo completado ainda o curso de Ciências Pedagógicas. O seu trajecto universitário foi pautado por uma actividade académica intensa e a todos os títulos notável: desde Presidente do Orfeon Académico de Coimbra a Presidente da Associação Académica, muitos foram os cargos que desempenhou, mas seria, sobretudo, a sua actividade no TEUC (Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra) que, além da aprendizagem que lhe proporcionou, lhe traria maior reconhecimento.

Anos mais tarde, ao fixar-se na cidade do Porto, integrou o TEP (Teatro Experimental do Porto) tendo sido director da escola de Teatro do TEP, onde leccionou as disciplinas de História do Teatro e Arte de Dizer.

Ao longo de um percurso em que trabalhou afincadamente para o enriquecimento do Teatro em Portugal, Deniz-Jacinto encarnou personagens vicentinas (o Diabo do Auto da Barca do Inferno foi, sem dúvida, a mais marcante), prefaciou e traduziu várias peças, dedicou-se à crítica teatral; emprestou a sua colaboração a revistas e a outras publicações culturais e participou em inúmeros colóquios, conferências, palestras e mesas-redondas; a publicação, em 1991, de três volumes que reúnem a sua obra, surge como corolário dessa carreira.

Antifascista convicto, as suas posições ideológicas e militância política trar-lhe-iam alguns dissabores, tendo enfrentado duas condenações da PIDE e cumprido pena no Aljube e em Caxias.

Em 1988 foi distinguido, pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, que assinalava a sua intervenção no campo cultural bem como a sua postura de defesa dos valores democráticos.

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