António Pimentel
A 22 de Janeiro de 1935 nascia, em Condeixa-a-Nova, António Pimentel; aqui vive uma infância feliz e despreocupada, em que vão despontando, precocemente, a apetência e o gosto pelo desenho.
Estuda Belas-Artes em Coimbra, onde então a vida académica - oprimida por um regime ditatorial que levava já cerca de um quarto de século de existência - resfolegava insubmissão e ânsia de liberdade e no seio da qual se vinha gerando uma intensa actividade intelectual, literária e artística, de matriz neo-realista.
Em 1957, com 22 anos, realiza a sua primeira exposição individual na galeria do "Primeiro de Janeiro"; nesse mesmo ano funda, com outros artistas estudantes, o Círculo de Artes Plásticas da Associação Académica de Coimbra.
Ao virar da década, e devido ao fascínio que a Sétima Arte sempre lhe causara, ruma à capital, onde trabalha como assistente de realização de filmes para TV e cinema; mais tarde, acaba por ingressar numa agência de publicidade.
Experimentou uma formação diversa e enriquecedora: estudou técnica de cerâmica, com o pintor Mário de Oliveira Soares; desenho e pintura com o artista brasileiro Waldemar da Costa; técnica de gravura, sob a orientação de Roberto Delamonica, no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, a convite do Itamaraty. Após um ano no Brasil, parte para Paris em 1964, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, onde vai frequentar o Atelier 17 e, em seguida, a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, onde obtém a primeira recompensa, a título estrangeiro.
Testemunhou, na capital francesa, o Maio de 68, momento de efusão do idealismo revolucionário. Este foi também o tempo da afirmação e reconhecimento dos dotes de grafista, pelo trabalho desenvolvido em agências de publicidade, que levou a que o "European Illustration" o tivesse incluído na sua antologia.
Quando em 1974 regressa ao país, pelas "portas que Abril abriu", assume, uma vez mais, o ofício de grafista publicitário, trabalhando a par com Ary dos Santos.
Em 1983, porém, decide dedicar-se por inteiro à pintura, o que implica uma radical mudança de existência, com o retorno à vila natal. Instala-se em Alcabideque, onde adquire «o "Solar dos Bentos", a um tempo casa, atelier e 'templo' para os prazeres da vida.»1. Aí faleceu na tarde de 24 de Abril de 1998.
Realizou diversas exposições, individuais e colectivas, promovendo a sua obra em Portugal e no estrangeiro. Dos seus quadros, de volumetrias perfeitas e cores aguerridas, em que a disposição dos elementos pictóricos obedece a uma racionalidade irrepreensível, sobressaem as sequências consagradas a Mariana Alcoforado (tematização da reclusão, na evocação de «uma magra freira que o pecado devora»2), ao rei D. Sebastião (recuperação da história e mitologia sebásticas) e os seus Organismos (evocações fragmentárias das agressões do mundo mecanicista, que encerram um desejo de reorganização).
1 Artigo
2 José Augusto França
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