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Colette Vilatte

Poder-se-á dizer que foi com a tapeçaria, e nomeadamente com a sua integração no "Grupo 3.4.5. Tapeçaria Contemporânea Portuguesa", que Colette Vilatte mergulhou na combinação de motivos, texturas e cores, que viria a desenvolver e orientar a sua apetência e sensibilidade plásticas. Foi porém, e ainda assim, a teia dos acasos - em que se entreteceram a destruição fortuita do amado tear, a descoberta de antigos e despretensiosos trabalhos de pintura, pelo marido e também pintor António Pimentel e o incentivo de Eurico Gonçalves, no convite para uma primeira exposição - que a encaminhou, decisivamente, para a pintura. E a pintura não figurativa de Colette Vilatte - exposta em diversas galerias do país e do estrangeiro - tem revelado uma artista atenta, na captação da beleza plástica do lado efémero de tudo quanto nos envolve. Desde 1989 que Colette vem trilhando um caminho, em que a premência e inexorabilidade do tempo se impõem sob diferentes registos, como sejam as colagens - onde a sobreposição age como um cadastro das alterações contínuas que o tempo imprime, à sua passagem - ou a denúncia dos efeitos d' O Silêncio do Tempo que vai deixando em superfícies murais, só aparentemente inexpugnáveis, um lastro que é simultaneamente de destruição e de beleza. As telas da última série - L'État des Choses - exibem uma inteligente estratégia palimpséstica, de de-composição, assinalando o desgaste de uma mensagem consumista, só em parte recognoscível mas que, por isso mesmo, potencia os valores da sugestão.

Natural de Belvés - Périgord, França, Colette Vilatte vem para Portugal em 1974. E é em Alcabideque, na freguesia de Condeixa-a-Velha, que tem a sua casa e atelier.

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