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Fernando Namora


Porquanto tenha adquirido notoriedade enquanto escritor - sobretudo pela mestria na arte do romance - Fernando Namora não silenciou a sua vocação artística, fazendo várias incursões pela pintura e pelo desenho.

Num estudo1 sobre a obra pictórica de Namora, Miguel Pessoa, Palmira Leone e Lino Rodrigo avançam com uma delimitação temática e periodológica da sua pintura, destacando três principais fases. Na primeira delas, designada "naturalista", as paisagens assumem lugar de protagonismo, ressaltando - nas aguarelas, óleos ou desenhos - a sua singeleza despretensiosa e os matizes inequívocos da memória que as registou. Numa segunda fase que se estende, sensivelmente, por um período de vinte anos ( 1940 a 1960), Namora explora mais profundamente a pintura a óleo, introduzindo mais cor; nos trabalhos que integram esta fase - de recorte claramente neo-realista - assomam inquietações de ordem social, perceptíveis em ambientes e figuras humanas que, retratados, denunciam a aspereza de um quotidiano. É ainda num momento inicial desta segunda fase que se integram os seus trabalhos de caricatura.

A partir de 1960, a influência neo-realista deixa de se fazer sentir com tanta premência: num registo mais ostensivo da cor, a sugestão relega para segundo plano a descrição e o traço preciso cede lugar a contornos mais esbatidos que indiciam a filtragem do real pela subjectividade.

A exposição permanente da Casa-Museu, em Condeixa - onde algumas das suas obras poderão ser admiradas - coloca o público em contacto com esta faceta mais desconhecida, porém não menos interessante, de Fernando Namora.

1 PESSOA, Miguel; LEONE, Palmira; RODRIGO, Lino «Caminhos de Vida, Caminhos de Pintura» in Fernando Namora - Nome para uma Vida, 1998, edição da Câmara Municipal de Castelo Branco.

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