Lenda dos Ferreiros (Zambujal)
Viviam no cimo de cada um dos montes — o Melo e o Gerumelo — dois irmãos, ferreiros de ofício, que tinham o mesmo nome dos montes em que se haviam instalado, não fora o caso de serem antes os montes a tomarem o nome dos dois alentados gigantes. Cada um em sua forja, trabalhava o ferro com os seus instrumentos. Porém, não possuíam mais do que um martelo comum, de que se serviam alternadamente. Quando o Gerumelo precisava do martelo, chegava à porta da forja e gritava ao Melo, para este lho atirar, e vice-versa. Isto repetia-se de todas as vezes que trabalhavam. Só a força de gigantes podia arremessar o martelo, a tão grande distância.
Ora um dia houve em que o Gerumelo se zangou com o companheiro e, quando o irmão lhe pediu o martelo arremessou-lho com tamanha violência e mau humor que ele se desencabou no ar. A maça de ferro foi cair no sopé do monte Melo e logo ali rebentou uma fonte de água férrea — a Fartosa (antes, a Ferretosa). Quanto ao cabo, que era de madeira de zambujo, precipitou-se mais longe, enraizou e deu origem a um bosque de zambujeiros, onde posteriormente se veio a formar a aldeia que tem, hoje, o nome de Zambujal.
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