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A cinco de cada mês um pouco mais sobre a República.
Data: 2010-02-05





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Programa das comemorações do centenário da República em Condeixa-a-Nova arranca hoje, com os “bisnetos” do hino. Pretende-se reflexão crítica.

Ao dia 5 de cada mês, em Condeixa-a-Nova, há algo para aprender sobre a Implantação da República, seja com uma conferência, com música ou com um apontamento literário. Hoje por isso, dia 5 de Fevereiro, os bisnetos do autor do Hino Nacional, Henrique Lopes Mendonça, estão na Câmara de Condeixa para falarem, precisamente, sobre o Hino Nacional que, não sendo uma criação do início da República é o símbolo que imediatamente se associa a tal efeméride, ocorrida a 5 de Outubro de 1910.

Desta forma se dá o pontapé de saída para as comemorações. Decorrem um pouco por todo o país e também Condeixa se quis associar. É que, também este concelho teve «um historial interessante na Implantação da República», recordou ontem o presidente da autarquia, durante a apresentação do programa que vai decorrer até 5 de Outubro.

Mas não será esse o motivo de força maior para que as comemorações se concretizem no concelho. Antes porque são 100 anos que passam «sobre uma das datas mais relevantes da história portuguesa», justificou Jorge Bento. «Abriu uma porta de esperança e modernidade na sociedade portuguesa», considerou ainda, para dizer que então se afirmaram valores sociais, políticos e históricos «que se mantêm vivos».

Para além disso, importa despertar consciências relativamente a uma data que, até então tem passado mais ou menos despercebida no calendário, porque para a maioria é feriado e pouco mais que isso significa. Mas o 5 de Outubro foi muito mais. «Que seja também uma oportunidade para os jovens se interrogarem sobre este chavão República», que, reconhece o autarca, «tem sido mal vendido».

Leitura actual

Até ao dia em que se assinalam os 100 anos sobre a passagem do dia em que foi proclamada a República Portuguesa, há muito para aprender em Condeixa, num conjunto de iniciativas promovidas pela autarquia que quer contar com a envolvência de toda a comunidade.

Não se trata de fazer «uma leitura de salmos», como disse Jorge Bento, mas antes de um momento de «reflexão crítica» sobre a temática da República e «consequências» da sua implantação, incidindo em particular nos 16 anos de governação da 1.a República, que durou até Maio de 1926. E mesmo «ver até que ponto podemos tirar leituras críticas para os dias de hoje», considerou ainda o autarca, que vê nestas leituras uma «perfeita actualidade». Desde logo porque, disse ainda, «vivemos um período conturbado do ponto de vista político» e «há uma descrença na eficiência e eficácia do modelo democrático», designadamente na prossecução de alguns objectivos democráticos como «a equidade e justiça social».

O programa que começa hoje vai ter iniciativas ao dia 5 de cada mês, havendo, no entanto, actividade complementares que se vão promovendo, porque não se pretende um programa fechado, antes um que se abra «à medida das necessidades e solicitações». «Queremos suscitar a interrogação sobre a República», sintetizou Jorge Bento.

Fonte: Diário de Coimbra

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