Data: 2007-07-21
Escarpiadas procuram novo mercado
Pão, azeite, canela e açúcar amarelo são os ingredientes chave. A estes junta-se algum segredo e estão feitas as escarpiadas, um doce genuinamente de Condeixa que a autarquia quer promover como imagem de marca do concelho.
São conhecidas em Condeixa-a-Nova e pouco mais, por isso a autarquia local está empenhada em promovê-las fora de portas e dar a conhecer aquele que é um dos ex-libris da gastronomia local. Falamos das escarpiadas um doce tradicional que a autarquia quer integrar no seu roteiro gastronómico e afirmar como produto de excelência do concelho.
Ontem foram apresentadas as novas embalagens, adquiridas pela câmara municipal e que vão ser distribuídas à indústria da panificação e pastelaria do concelho, dando assim outra dignidade ao produto no momento da venda. Uma forma de, mais do que dar a conhecer as novas caixas, promover as ecarpiadas, um doce que o presidente da autarquia afirma ser de «qualidade» e «único», não se conhecendo outro local onde elas existam, além de Condeixa. Pretende-se que se torne numa «imagem de marca», disse Jorge Bento, afirmando que com esta nova apresentação – importante porque «a imagem vende» – estão criadas as condições para que o doce seja integrado na rede hoteleira e de restauração, e não apenas nas padarias e pastelarias do concelho, como acontece actualmente. E neste ponto exortou os agentes hoteleiros e de restauração do concelho a «utilizar este doce como produto da sua própria oferta».
«Acredito que pode ser uma aposta ganhadora e um elemento de qualificação da gastronomia local, juntamente com os restantes produtos, como o cabrito», disse Jorge Bento que quer «afirmar Condeixa como centro de alimentação de qualidade e saudável».
Pouco conhecida fora do concelho, a escarpiada é um doce de características rurais, feito à base de pão no qual se enrola azeite, canela e açúcar amarelo. Uma receita aparentemente fácil mas que tem o seu “q” de saber, «pois não há nada que não tenha o seu segredo», disse ontem um produtor. «A escarpiada grande, por exemplo, tem de ser bem dobrada porque senão o molho escorre», revelou ainda este produtor, presente ontem na sessão de promoção do doce. E mais, acrescentou, «é boa no dia, porque no dia seguinte a massa fica seca».
Produto de Condeixa
Não se sabe muito sobre as origens da escarpiada, mas uma coisa parece certa: não se encontram em mais local nenhum, pelo que será seguro afirmar que se trata de um produto genuinamente de Condeixa. As suas origens podem estar ligadas à presença dos romanos em Condeixa, que faziam papas com farinha e folhas de couve. «Se pensarmos nestas papas podemos chegar às papas laberças, também aqui tradicionais, e temos a farinha e a água, a base das escarpiadas», explicou Fátima Bandeira, que já fez um levantamento sobre a gastronomia do concelho que foi integrado numa obra. Por outro lado, acrescentou, na época medieval apareceu também a massa de pão com outros usos gastronómicos, nomeadamente a boleira, um bolo ao qual se juntava açúcar e canela. «Pensamos estar aqui a origem da escarpiada», explicou, adiantando que não há dados históricos que permitam afirmar a sua origem, mas apenas «a tradição oral».
A realidade é que, na primeira metade do século XX havia uma padaria que fazia escarpiadas por encomenda, e mais tarde, na segunda metade do século, todos os padeiros da vila as produziam, agora em formato mais pequeno e mais comercializável. «Certo é que a escarpiada sempre teve uma grande importância na vila», rematou Fátima Bandeira, afirmando tratar-se de um produto «genuíno de Condeixa», mais de padaria do que de pastelaria.