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Data: 2010-01-26
Matilha atacou caseiro e matou seis ovelhas

Uma matilha atacou ontem um rebanho, na freguesia de Anobra, Condeixa-a-Nova, matando pelo menos seis cabeças de gado e ferindo outras 13.

O episódio teve lugar logo pela manhã, quando o caseiro da Quinta de Melhora soltou os animais nos cerca de 20 hectares da herdade. «Eram oito horas, e às 8h15, já aqui estava este festival», lamenta José Santos. «Eram sete cães grandes que começaram a atacar o rebanho», descreve o funcionário, também ele atacado por um dos animais. O pior só foi evitado porque, conta, «levava comigo um serrote para limpar as oliveiras que usei para me defender».

A situação não é inédita e, ainda a semana passada, uma matilha, presumivelmente a mesma, atacou o rebanho de uma propriedade vizinha, ferindo também seis ovelhas. «Mas nunca com esta gravidade», realça a proprietária da Quinta da Melhora, Teresa Folhadela. «Não temos problemas de maior, até porque a caça é proibida naquela zona, mas a falta de escrúpulos de algumas pessoas, que abandonam os animais, e a proximidade do aterro provoca isto», aponta. O aterro sanitário, perto daquele local, parece ser o primeiro ponto de atracção dos animais, em busca de alimentos, que acabam por atacar os rebanhos.

“Estão a matar por matar, não para comer”
Só que, daquilo a que assistiu na manhã de ontem, José Santos acredita que a situação está a piorar. «Não estão a matar os animais para comer, é mesmo só por matar, porque não se alimentavam e passavam à ovelha seguinte». Os gritos para afastar a matilha «não resultaram desta vez e tive que pedir ajuda a um rapaz, porque não conseguia chegar a todo o lado. Depois, afastaram-se e saíram por um buraco na vedação». A violência do ataque saldou-se em seis ovelhas mortas e pelo menos 13 «irremediavelmente perdidas e que muito provavelmente vão morrer», refere Teresa Folhadela, que só hoje, depois da recolha dos cadáveres pelo Ministério do Ambiente, poderá fazer contas ao que efectivamente perdeu, embora avance já que «os prejuízos são muitos», uma vez que cada cabeça, por baixo, ronda os 50 euros.

Para além disso, aponta, sentimo-nos impotentes com o sofrimento dos animais, já que alguns tinham dado à luz há pouco tempo e estavam fragilizados». Segundo a proprietária, «estes cães são de grande porte, de caça não são com certeza, só que é crime abater estes animais, que nem sequer têm culpa, mas acabam por tornar-se feras». O problema, entende, «é que não há ninguém com controlo sobre eles. Ninguém toma medidas, e trata-se de um perigo para a saúde pública e para a segurança das pessoas», reclama a proprietária. «Quantas mais pessoas vão ter que ser lesadas?», pergunta.

Câmara está a tomar medidas
Para já, a responsável contactou a Câmara Municipal de Condeixa (CMC), a quem compete recolher os animais vadios. Ao Diário de Coimbra, a CMC confirmou ter conhecimento da situação e «estar a tomar medidas para a resolução rápida do problema». No caso desta ocorrência, a autarquia esclarece que «é preciso verificar primeiro se se trata de cães vadios ou não. Caso não o sejam torna-se necessário identificar os proprietários e a responsabilidade passa para a competência das autoridades».

Também a GNR, que esteve no local, explicou ao DC que apenas pode tomar conta da ocorrência e elaborar um relatório, através das brigadas do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente, para enviar para o Instituto de Conservação da Natureza.

 
 
Fonte: Diário de Coimbra - diariocoimbra.pt

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