"Olha para mim a ler+”
Extremamente alto e incrivelmente perto, Jonathan Safran Foer
A literatura, tal como o desporto, transmite-nos conhecimentos acerca da vida. Nem sempre um “FIM” é realmente o final da história. Nem sempre existem “felizes para sempre”. A vida, como um livro, não precisa, necessariamente, de fazer sentido. Não temos, obrigatoriamente, que a conseguir classificar como uma vida boa ou uma vida má. Às vezes a vida é só isso mesmo, vida. Um livro é só um livro. Mas, mesmo quando isso acontece, o que conseguimos retirar de “só um livro” é muito do que devemos saber para a vida.
“A linguagem, a maior invenção humana, alcança o que, em princípio, não deveria ser possível. Ela permite que todos nós, até mesmo o cego congénito, possa ver com os olhos de outra pessoa.” Oliver Sacks
De encontro às palavras de Oliver Sacks, apraz-me afirmar a importância da leitura, surgindo primariamente nas nossas vidas em jeito de conto, de uma forma lúdica, e quando damos por ela, já estamos na escola a aprender a juntar as primeiras letras, e a iniciar a aprendizagem de uma capacidade tremenda, a de conseguir Ler!
Ler, permite-me viajar, sonhar, criar um mundo diferente, “ser dono” daquela história, chorar, sorrir, agraciar, uma enorme panóplia de emoções, de sentimentos, de sensações.
Que experiência fantástica e enriquecedora que é Ler. Quando a escolha não é fácil, ou pouco sugestiva, será melhor procurar algo que nos interesse, que aborde um tema sobre o qual a nossa curiosidade desperta. Esta é uma estratégia para engrenar,… e um novo mundo surge, uma nova forma de encarar e observar determinadas situações.
A literatura tem esta capacidade, a de nos embrenhar por mundos tão diferentes mas sem nunca sairmos do nosso mundinho.
Lê mais, cresce mais…
Espelho de Bolso para Heróis, de Baltazar GRacíán
Anabela Estevão, Professora de Português do Agrupamento de escolas de Condeixa
Presidente do Conselho Geral
Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.
(Anna Karenina, Lev Tolstoi)
Se alguém não tiver prazer em ler um livro várias e várias vezes, não há motivos para lê-lo, afinal.
(Oscar Wilde)
A leitura é, desde que me conheço, de uma importância fulcral.
Através dos livros, viajo, sonho, encontro prazer, aprendo a viver.
A vida está toda nos livros. Viver é também ler. Ler é viver muita vida. E é sobretudo sentir, respirar.
A nossa Vereadora da Educação e da Cultura, Vice Presidente do nosso Município, deu o exemplo e o pontapé de saída desta nova iniciativa das bibliotecas de Condeixa: dar visibilidade à leitura e ao ato de ler.
“A experiência da leitura é essencialmente individual”
A experiência da leitura é essencialmente individual, sempre única e nova. Parafraseando Rousseau, que afirmava ser a vontade intransferível, ninguém pode sentir as minhas emoções e viver da mesma forma a minha experiência de leitura.
Ao ler, por exemplo, o livro “A Estranha Ordem das Coisas” do autor António Damásio, essa experiência de leitura transforma o meu “olhar” sobre o mundo, a forma como me relaciono com a realidade, comigo mesma e com as pessoas que me são próximas e queridas, influencia a minha vida, contribui para a minha formação política, torna-me alguém melhor, mais observadora, mais responsável e mais sensível diante da miserabilidade da condição humana.
Um dos aspectos essenciais da literatura é que ela nos fala diretamente, sem a necessidade de conceituação e análise interpretativa. Refiro-me à leitura desinteressada, mas que produz emoções, as quais nos podem marcar por toda a vida.
A vida nos ensina muitas coisas – basta disposição para aprender e esforço. Ao longo da minha vida fui aprendendo a melhor selecionar os livros. Os melhores foram os que li pelo prazer de ler. As leituras, porém, nem sempre podem ser feitas com prazer – muito do que leio está vinculado à minha atividade profissional; a diferença é que consegui transformar isso num trabalho prazeroso. Contudo, esta não é a regra geral! O paradoxo é que alguns leitores precisam ser “incentivados”. A “obrigação” académica de ler pode dar resultados positivos. Em determinados contextos, a indicação de livros, acompanhada de certo “estímulo” e “convencimento”, aumenta a probabilidade de isso ocorrer.
Liliana Marques Pimentel
29 de janeiro de 2018



