A Biblioteca Municipal Engº Jorge Bento inaugurou, recentemente, uma exposição evocativa dos acontecimentos que caracterizam o maior período de perda de liberdade de expressão da história portuguesa.
Notícias mutiladas, exposições e espetáculos cancelados, autores proscritos, obras interditas… Em causa, o aparelho censório da ditadura de Salazar e o largo espetro duma atuação repressiva que vigorou em Portugal durante 48 anos.
Trata-se do tema a que se subjuga a mais recente exposição inaugurada na Biblioteca Municipal Engº Jorge Bento, «Corte-se», a 28 de abril, e que contou com a presença de José Pacheco Pereira.
“Subversivos. Prejudiciais à segurança do Estado. Contra os bons costumes”. Em exibição, diversos materiais escritos recolhidos durante o Estado Novo proibidos e censurados pela “máquina destruidora do pensamento” e o tão conhecido lápis azul que, nas palavras do historiador e analista, “moldaram mais do que uma geração a ter medo de inúmeras coisas”.
Estruturada em núcleos temáticos, de forma a contemplar todas as formas de expressão e os diversos setores da atividade informativa e cultural em que recaíram os mecanismos censórios, desde a imprensa nacional e estrangeira, ao cinema, teatro, literatura, etc, em exposição inúmeros boletins probatórios que mostram a diversidade e a tipologia dos cortes, desde a política às artes, entre outras e que “mudam completamente a ideia do que aconteceu.”
Esta exposição foi cedida pelo Arquivo Ephemera, o mais “público dos arquivos privados” em Portugal, com curadoria de José Pacheco Pereira, cuja dedicação à investigação da história contemporânea portuguesa se destaca pela recolha e classificação de documentação e objetos afetos à vida política portuguesa, num esforço sincero de combater a efemeridade da história recente.
De incalculável importância para o conceito de liberdade que a revolução dos cravos resgatou, o evento contou com sala cheia e um discurso inaugural reflexivo por parte do Presidente da Câmara Municipal de Condeixa, Nuno Moita da Costa, que sublinhou a atual relevância deste tipo de atividades culturais, de forma a “ ver o passado para não cometer os mesmos erros… no sentido de criar uma sociedade mais igualitária e para que possamos evoluir no bom sentido da palavra”.
A exposição estará patente até ao próximo dia 19 de maio e poderá ser visitada no normal horário de funcionamento da Biblioteca Municipal.



